Uma história de amor

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Conto – Uma História de Amor

Vi a foto dele no Facebook, tinha uma expressão cativante, parecia meio ressabiado, mas ainda assim era encantador. Naquele exato momento, eu me apaixonei! Fiquei pensando nas possibilidades de tê-lo ao meu lado e no que eu poderia fazer para estarmos juntos, o amor é realmente surpreendente… Aquela fotografia roubou meu coração e despertou os planos mais loucos dentro de mim.

Decidi, então, enviar a imagem para as minhas amigas. Elas iriam se apaixonar também? Não importava, precisava de toda ajuda possível para tê-lo ao meu lado. Conseguia imaginar nossos passeios ao ar livre, em volta da lagoa, horas e horas compartilhando o mais puro amor. A imaginação é mesmo uma coisa engraçada, por meio dela somos transportados para uma realidade paralela, onde o impossível se torna totalmente possível.

Luísa, minha amiga, foi a primeira a responder a mensagem:

– Você PRECISA ficar com ele! Ele tem tudo a ver… Nem que seja escondido, nós vamos te ajudar.

Meu coração disparou nessa hora. E se eu comentasse a foto? O que iria acontecer? Precisava falar com a minha mãe antes, caso ela não aprovasse, isso não poderia durar muito tempo (lembre-se que eu já tinha planos para um vida toda juntos). Mamãe  ainda se agarrava ao discurso de que eu não conseguiria lidar com grandes responsabilidades, dizia que eu era nova demais, que um dia ainda poderia decidir as coisas sozinha. Hoje, quando me lembro desse caso, começo a rir de mim mesma. Eu nem sabia se ele gostaria de estar comigo, mas já podia visualizar toda nossa história de amor.

Pensei por alguns minutos se eu deveria enviar a foto para mamãe. A possibilidade dela dizer “não” doía dentro de mim, ele já havia se tornado especialmente único. Bendita imaginação! Desde o meu acidente, ela havia se tornado uma grande aliada, mas às vezes me pregava algumas peças. Eu ainda podia me imaginar caminhando com as duas pernas, correndo pelas aulas de Educação Física e fazendo os passos do chapeleiro maluco. Uma perna só não era tão ruim assim, mas a prótese também não me permitia fazer tudo como antes.

Fiz uma oração e pedi a Deus que preparasse o coração da minha mãe. Copiei a foto e enviei. Juntei toda a minha coragem e escrevi uma mensagem bem persuasiva, buscando despertar toda a compaixão que pudesse existir nela: “Mamãe, você não acha que nós combinamos? Juntos, nós poderemos demonstrar um ao outro como é possível ser feliz, mesmo sem uma perninha!”. Fiquei esperando a sua resposta com o coração saltitando! Conseguia imaginá-lo chegando em minha casa naquele mesmo dia.

Aslam completa dez anos hoje e o que vivemos juntos foi muito além da minha imaginação! Chegou lá em casa no dia seguinte, com seu andar meio trôpego, orelhas levantadas, pelos curtos dourados e olhar curioso. No final das contas, acho que ele também se apaixonou por mim à primeira vista e, no primeiro olhar, também conseguiu imaginar as grandes aventuras que viveríamos juntos. Naquele mesmo instante, nós nos tornamos especialmente únicos um para o outro.

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