Artigos Cristãos

Dani e eu completamos sete anos de casados essa semana. Esse mês, também celebramos nossos onze anos juntos. Julho marca um tempo de balanço para mim, em que analiso nossa evolução, aquilo que ainda precisamos melhorar, contemplo tudo o que já conquistamos e me alegro por termos um ao outro. Desde o início da nossa relação, tenho experimentado um tipo de felicidade que só se reconhece em um ambiente de companheirismo, ajuda mútua, concessão amorosa e resiliência. Não pense que vim aqui para dizer que tudo é sempre perfeito; não é. No entanto, a cada ano, tudo se torna mais maduro, mais leve e natural. Sabemos que somos capazes de superar as crises e de nos tornarmos ainda mais apaixonados e felizes quando elas passam.

Dos nossos primeiros anos de namoro, lembro-me de declararmos nosso amor aos gritos pela janela do carro, dos dias em que o Dani me levava na garupa de sua bicicleta, da necessidade de nos falarmos a cada segundo por mensagem, telefone, pombo-correio ou sinal de fumaça. Nessa época, fizemos seis meses de cursinho vestibular juntos, o que resultou em menos estudo, muitas aulas perdidas e várias sessões de cinema (não se preocupe, nós dois passamos mesmo assim). Também me recordo da insegurança e da nossa imaturidade para lidarmos com aquele tipo de relacionamento, estávamos sempre com medo de algo dar muito errado. Hoje compreendo que nossa confiança foi construída com tempo e paciência, com a disposição de nos doarmos e nos conhecermos gradativamente, sem pressa, mas com entendimento de que todo relacionamento é construído, peça por peça, dia após dia.

Com o passar dos anos, essa visão nos ajudou a nos amarmos exatamente do jeito que somos, sem cobranças de um ideal ou de uma expectativa que não pode ser suprida. Fomos nos desprendendo da dependência emocional daquela relação imatura e construindo raízes profundas que só crescem com o desenrolar de várias estações. Casamos muito jovens, eu tinha 21 anos e o Dani 24. Sinceramente, quando olho para trás, sinto um baita orgulho da gente! Fomos perseverantes em meio às dificuldades e, mesmo nos dias em tudo parecia estar por um fio, decidimos lutar pelo casamento. Rompemos a barreira do ideal construído em nossas mentes, de um relacionamento perfeito, sem desafios e dias ruins. Fomos na contra mão e encaramos cada um desses problemas, abrindo nossos corações, nossas mentes, sendo honestos em relação aos nossos sentimentos, defeitos e barreiras.

Pense comigo, desde o começo do nosso namoro, sempre soube que o Dani era um rapaz mais tímido, introspectivo, observador. Sempre foi sensível, extramente correto e se demonstrou um homem muito emotivo. Como, mesmo sabendo disso tudo, eu poderia cobrar do Dani características completamente diferentes dessas que eu já conhecia? É óbvio que nós mudamos com o tempo, mas existem certos pontos que compõem a essência de uma pessoa, definem exatamente quem ela é, estão atreladas à sua visão de mundo e à sua própria existência. Em contrapartida, também precisamos aceitar as transformações que o tempo provocou em nós dois; nesses anos todos, muitas visões mudaram, opiniões e objetivos. Nossa base permanece, mas amadurecemos e somos transformados diariamente. Entende?

Nos dias em que temos vontade de jogar tudo para o alto, lembramos do “sim” dito há sete anos atrás. Esses dias existem para nós dois. Imaginamos uma malinha pronta,  a passagem comprada e uma viagem só de ida para Paris ou Barcelona ou Toronto. Tanto faz, desde que seja para bem longe dos problemas. No entanto, quando isso acontece, lembramos que toda crise passa, que somos capazes de nos fazermos muito felizes, que temos um plano juntos, que formamos uma família e que não vamos nunca, nunca mesmo, desistir dela sem antes de lutarmos. Dessa visão, vieram incontáveis horas de conversas e muitas noites mal dormidas, pois preferimos passar  toda madrugada conversando a dormirmos com um assunto mal resolvido. E assim caminhamos, a cada luta, nos tornarmos realmente mais fortes.

Como ponto mais importante dessa análise, posso te garantir que nossa caminhada com Deus tem nos possibilitado a compreensão de que somos um só corpo, mas que ele é composto por duas identidades, duas personalidades, duas pessoas únicas e completamente diferentes. No casamento, multiplicamos características e sonhos (um vezes um que é igual a um). Caminhamos com uma mesma missão e um só propósito. Olhamos juntos para Jesus, ansiamos seguir seus passos e sermos capazes de amar como Ele nos ama todos os dias. Ele está no centro.

Lembro-me que, no nosso quinto ano de casamento, tivemos uma crise de identidade que abalou nossa relação. Veja bem, o nosso amor sempre existiu, de uma forma muito forte e real, mas não conseguíamos entender qual era a nossa identidade individual no relacionamento. Desde então, Deus tem nos mostrado como fomos preparados de forma única e maravilhosa, com características especialmente designadas por Ele e que juntos, expressando o que temos de melhor, podemos ser ainda mais maravilhosos.

São muitas experiências para compartilhar, muitos textos para serem escritos sobre esse assunto. Mas espero, de alguma forma, ter inspirado os inúmeros casais que existem por aí. Sempre digo a todos que estão ao meu redor que o casamento é um presente maravilhoso, que nos proporciona grande alegria, nos torna mais fortes, nos faz realmente felizes. Dani e eu caminhamos de mãos dadas e eu o amo ainda mais que no primeiro ano, hoje amo o Dani conhecendo muitos detalhes da sua personalidade particularmente doce, amável, sentimental, colérica e um pouco melancólica. Tenho consciência dos meus inúmeros defeitos e reconheço humildemente as minhas qualidades. Não é fácil, mas é incrivelmente lindo.

Se você gostou desse texto e quer ler mais sobre esse tema, deixe um recadinho para mim. Que a sua semana seja fantástica e abençoada!

É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas.
Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se!
E se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos. Como, porém, manter-se aquecido sozinho?
Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade.
Eclesiastes 4:9-12

6 comentários em “Um pouco sobre casamento

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