Textos Cristãos

Vivemos em uma geração na qual a maioria dos sonhos que nutrimos podem ser quantificados em números ou coisas. Valorizamos, sobremaneira, o ter, o comprar e o adquirir, reflexos da sociedade capitalista na qual estamos inseridos. Grande parte desses sonhos nascem da comparação. Os nossos olhos captam, nosso coração deseja e passamos a lutar para alcançar o objeto desejado. Mudamos de anseios como quem muda de calças. E eu realmente acredito que sonhos vão muito além dos simples desejos.

Pior, conheço pessoas que sequer conseguem sonhar mais! Estão tão fartas das coisas que possuem – logo desejam e logo adquirem o que desejam – que perderam o gostinho precioso do processo da luta, o suor, a emoção e as lágrimas da conquista. Lembro quando era criança, as coisas pareciam ser tão mais difíceis… Passei dois Natais desejando ganhar uma bicicleta (sem rodinhas, é claro). Enquanto isso, tinha que entrar na fila para brincar na bicicleta da prima, aguardando o tão sonhado dia de ganhar uma só pra mim. Fui privilegiada, pois num belo verão de 1995 ganhei minha “caloi” roxa de cestinha branca. Muitas crianças sequer chegam a ter, né?

Ainda assim, é triste demais ver que a maioria dos sonhos que a nossa geração nutre tem a ver muito mais com aquilo que o seu dinheiro é capaz de comprar ou com o status que você possa obter com a concretização daquele sonho. Cada desejo alcançado é um clique nas redes sociais, uma selfie e um post. O objetivo precípuo, assim, é a exaltação pessoal.

Através da Bíblia, contudo, Deus nos ensina que os sonhos que Ele tem para nós possuem um valor diferente, muito maior do que as nossas insignificantes vidas: cumprir propósitos maiores do que a nossa mera satisfação pessoal. Tem a ver com a Sua Glória, com legado e também com chamado.

Sobre esse tema, a história de Abraão me inspira, e muito. Por causa da sua fé e obediência a Deus, ele recebeu do Pai uma promessa muito grande, muito maior do que Ele poderia imaginar: “Olhe para as estrelas, se as pode contar. Mais numerosa será a sua descendência.” 

Ora, falar isso para um “Mr. Catra” soaria razoável (ainda assim, um pouco megalomaníaco). Agora, falar isso para um homem velho, cuja esposa era estéril e sem nenhuma perspectiva de gerar filhos, soaria, no mínimo, uma loucura. Abrãao tinha muitas razões para duvidar e achar que aquela promessa “era coisa da sua cabeça”. Crendo contra a esperança, contudo, foi pai de Isaque e patriarca de multidões.

Veja ainda a história de José. Filho mais novo de Jacó, descendente de Abraão que havia herdado também a promessa. Não sendo o primogênito de Jacó, talvez José se sentisse um pouco desimportante na história da família. Contudo, desde criança, José era um conhecido sonhador. Seu pai realmente parecia amá-lo mais do que a seus irmãos.

Os elementos celestes aparecem também na história desse bisneto de Abraão, sob a forma de um novo sonho:  o Sol, a Lua e 11 estrelas se curvaram diante dele. Ao dar com a língua nos dentes para os irmãos, José se colocou em perigo. Logo a fúria e a inveja dos irmãos em relação a ele o levaram a um lugar onde a concretização daquele sonho parecia um absurdo: a escravidão no Egito, seguida de alguns anos de prisão.

Dentro das grades, creio que José deve ter se sentido um tolo. Aquela visão em relação aos irmãos certamente jamais se realizaria. O honrado José era, na verdade, um homem derrotado e condenado.

Contudo, ainda que o sonho tivesse a ver com a honra de José, o que estava em jogo era muito maior e ele não podia imaginar: tinha a ver com os propósitos de Deus para toda a sua família, resgatando-os, em tempo oportuno, da fome e da miséria que viria sobre Canaã. Esse era o seu chamado. Haveria Deus de cumprir, ainda, através da vida dele, a promessa que ainda estava sobre Abraão. E esse era o seu legado.

Quando medito nessas coisas, reflito na incoerência da vida que temos levado. Será que temos conseguido ouvir os sonhos e propósitos de Deus para nós? Será que os nossos sonhos têm verdadeiramente partido do coração de Deus ou são apenas meros anseios do nosso próprio coração, visando a autossatisfação? Seguir o coração pode ser muito perigoso, pois “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso (…)”

Quando Jesus envia os doze para cumprir o ide (Lucas 9:3) pediu a eles que nada levassem pelo caminho: nem bordões, nem alforje, nem pão, nem dinheiro; nem mesmo duas túnicas (imagina, dava nem pra trocar a roupinha!).

Creio que Jesus realmente desejava que o coração dos doze estivesse blindado do anseio pelas coisas materiais ou que isso fosse uma preocupação constante no coração deles. Alguém preso a bens e dinheiro possui sérias dificuldades de enxergar propósitos maiores na vida do que estes. Admiro demais a Jesus por perceber o coração dos que andavam com Ele e protegê-los deles mesmos.

Em conclusão, creio verdadeiramente que os sonhos que valem a pena sonhar são aqueles pensados e direcionados por Deus. Quando se trata dos Seus sonhos, Ele mesmo se encarrega de dar o start, pois é Ele quem efetua em nós o querer e o realizar (Filipenses 2:13). A motivação certa é aparente: honrar e glorificar o Seu nome, fazendo conhecidos os Seus feitos em nossas vidas e daqueles que nos cercam, dando-nos um chamado e um verdadeiro legado.

Desejo que você, amado leitor, assim como eu, possa refletir nos sonhos que tem nutrido e entender de que forma eles se enquadram nos propósitos de Deus pra você e para além da sua própria vida. Essa é uma verdade que carrego comigo: nascemos para glorificar o nome do Rei!

Lembre-se ainda da poderosa promessa que diz que se deleitarmos Nele, Ele mesmo se encarregará de conceder os desejos do nosso coração (Salmos 37:4). Permita que os seus sonhos sejam os Dele, e verá que Ele está atento ao coração daqueles que são fiéis ao Seus propósitos.

Um comentário em “O valor dos sonhos

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