Artigo Cristãos

Esses dias, comecei a refletir um pouco mais sobre esse tema: inveja. Ao lermos a história de Caim e Abel, podemos perceber claramente os efeitos catastróficos causados pela comparação, pelo ciúmes e, principalmente, pela inveja. Vocês já repararam que poucas são as pessoas capazes de admitir que já experimentaram esse sentimento? Grande parte daquelas que conheço se vê como vítima da inveja, mas nunca como seu agente praticamente! A partir dessa rejeição social, um termo popularmente conhecido surgiu: a tal da “inveja branca”. Na minha humilde opinião, ela não existe… Admiração é um sentimento completamente diferente, que nos impulsiona e nos dá ânimo, já a inveja geralmente reforça a sensação de incapacidade e inferioridade.

Analisando essa situação, acredito que a grande dificuldade em tratarmos a inveja é a não aceitação de sua existência. Sabemos que a confissão e o arrependimento são capazes de gerar cura e restauração em nós e, para que isso aconteça, é necessária a convicção da falha (e essa consciência é gerada pelo Espírito Santo). Dessa forma, entendo que, se eu sinto inveja, não posso mascarar esse sentimento ou dar outro nome a ele, preciso admitir sua existência e me arrepender. É necessário que tenhamos humildade para a admissão de nossas fraquezas e para que possamos buscar a prática de uma atitude diferente. Sabiamente, Paulo confessa a natureza da sua carne e diz:

“Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.”  Romanos 7:18-20

Honestamente, já perdi as contas de quantas vezes algumas pessoas falaram comigo que se sentiam vítimas da inveja ou do “olho gordo” de um conhecido, parente ou amigo. Mas nunca, nunquinha mesmo, ouvi alguém dizer que sentia inveja e estava arrependido, que gostaria de tratar esse problema, de mudar seus hábitos e práticas… É engraçado, né? Então, vamos pensar juntos, quem sente a tal da inveja? De onde ela vem?

Os psicólogos dizem que somente somos capazes de reconhecê-la no outro por já conhecermos a nossa própria inveja! Pesado, né? Então, inevitavelmente, você só se sente uma vítima porque já a praticou em algum momento da sua vida. Ainda sob o ponto de vista psicológico, ela nasce a partir das comparações constantes que realizamos uns com os outros. Quando, em meio a essas comparações, nos sentimos inferiores, menos bem sucedidos ou incapazes, estamos abrindo um grande espaço para a inveja. Para mim, o mais triste é que esse sentimento desencadeia em muitas pessoas a prática de constantes fofocas e deturpações da imagem do outro. A tentativa de tirar o crédito das conquistas alheias é uma luta contra a própria inveja capaz de nos corroer e destruir nossas vidas. (Assim como aconteceu com Caim, que matou seu irmão por não conseguir lidar com o seu “sucesso”).

“Ela é bonita, mas já viu aquele nariz?”.

“A Maria vai casar, mas também, já passou da hora né? Nunca vi namoro tão longo assim.”

“João foi promovido, menina. Parece que está muito bem! Mas eu não queria trabalhar assim como ele, parece um burro de carga.”

Elogios acompanhados de pequenas críticas e falhas são exemplos clássicos da inveja camuflada, reprimida e não tratada! (Não estou dizendo que é uma regra, mas um indício.)

Em meio a essas reflexões, entendo que a origem disso tudo está nos sentimentos de inferioridade, baixa autoestima, na falta de autoconhecimento e na prática constante de comparações. Todos esses fatores refletem a ausência de uma identidade firme em Deus. A identidade pressupõe autoconhecimento e aceitação, é aquilo que nos distingue do outro e nos faz especialmente únicos. Quando adotamos a prática de leitura bíblica, podemos perceber o quanto as pessoas têm personalidades tão distintas, tão diferentes, mas são igualmente amadas e restauradas pelo Pai. Cada um tem uma história única e Deus claramente ama essa diversidade. Ao olharmos para criação, podemos perceber o quanto Ele é criativo, dinâmico e ao mesmo tempo criterioso e justo.

Não se sinta injustiçado por Deus pelo que você é; faça o oposto, ao olhar para uma qualidade no outro, procure uma em você também. Tenho certeza que encontrará. Não seja injusto com você, muito menos com a belíssima criação divina que é a sua vida. Creio que esses são os primeiros passos para nos livrarmos desse sentimento de impotência e falta de aceitação. Valorize aquilo que Deus tem especialmente para você! Acho isso tão maravilhoso, em meio a bilhões e bilhões e bilhões de pessoas que já passaram por esse planeta, nenhuma delas têm a história exatamente igual a sua. Você já parou para pensar sobre isso? Deus realmente te ama de uma forma especial e individual. Jesus disse:

“O que acham vocês? Se alguém possui cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixará as noventa e nove nos montes, indo procurar a que se perdeu? E se conseguir encontrá-la, garanto-lhes que ele ficará mais contente com aquela ovelha do que com as noventa e nove que não se perderam. Da mesma forma, o Pai de vocês, que está nos céus, não quer que nenhum destes pequeninos se perca”. Mateus 18:12-14

Além disso, precisamos entender que algumas coisas simplesmente não podem ser mudadas, como sua nacionalidade, seus pais naturais, seus irmãos biológicos. Cada um tem uma história única e nós precisamos amar isso. Deus nos deu uma vida exclusiva para que possamos honrá-lo e glorificá-lo exatamente naquilo que Ele tem para nós. Um pássaro glorifica a Deus alçando seu voo assim como um peixe o glorifica em seu nado, um não pode realizar o papel do outro. Assim somos nós! Anseio profundamente que possamos abandonar esses hábitos de comparação corrosiva, mas que possamos olhar para o próximo e nos inspirarmos em fazer o nosso melhor, da nossa maneira, com o auxílio constante do Espírito Santo e pautados no amor do Pai.

Por fim, gostaria de partilhar com vocês uma frase maravilhosa que li  durante as pesquisas para esse artigo: “o nosso amor próprio está baseado no valor que Deus nos dá”. Sabemos que, por meio de Jesus, somos chamados filhos e amigos. Deus nos tem em alto valor, Ele tem contados até os nossos fios de cabelo e nos ama de uma maneira que não somos capazes de entender. E se, na metade desse texto, você caiu na real que tem sentido inveja de alguém, que tem dificuldade nessa área específica, não se desespere! O Espírito Santo realiza diariamente uma obra maravilhosa em sua vida… e de glória em glória seremos transformados! Oro para que Deus trabalhe em você sua identidade, assim como Ele tem trabalhado em mim, e que juntos possamos cumprir os propósitos especialmente designados para as nossas vidas. Amém!

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