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Você já parou para pensar que cada pessoa que vive nessa esfera giratória e bonita, chamada Terra, é um universo particular dotado de muitos desafios, contradições, expectativas, lições, valores, créditos e descréditos? Somos o resultado de um conjunto de genes, heranças, alma, espírito e corpo. Um pouquinho de cada coisa, em medidas diferentes, chegamos nesse perfeito resultado: somos únicos no mundo, mesmo em meio a bilhões de seres humanos que caminham por aqui (sem contar os bilhões que já se foram).

Ou seja, ainda que alguém se pareça muito com você (física ou psicologicamente), jamais haverá alguém completamente igual a você. E essas impressões digitais que foram colocadas por Deus em nossos dedinhos estão aí para nos lembrar disso todos os dias.

A Bíblia nos ensina que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Ainda que muitas vezes essa verdade nos passe despercebida, ou pareça absurda (na medida em que somos tão imperfeitos), há algo de muito glorioso nisso tudo. E quando digo glorioso, quero dizer “literalmente glorioso”, porque se há uma palavra que O define plenamente, essa palavra é Glória.

Veja, tudo o que foi criado estava Nele (João 1:3-4; Colossenses 1:17). Então, quando olhamos os passarinhos, esse céu azul de primavera e as cores lindas das cerejeiras, ficamos extasiados em ver tantas belezas. Ainda assim, estamos a falar de um reflexo, um dos atributos da beleza que há Nele e que se fez por meio Dele (Salmos 19:1-6).

Do mesmo modo, quando meditamos a respeito da nossa estrutura corpórea e nos espantamos com a complexidade dos sistemas que compõem o nosso corpo, constatamos que o Criador disso tudo só podia ser mesmo um gênio. Mas veja, ainda assim, a genialidade peculiar e os complexos sistemas criados são apenas mais uma ideia de quem Ele é o que Ele é capaz de fazer.

E então, a pergunta que reverbera no coração de todo homem é: quem Ele é? O que Ele é capaz de fazer? Será que um dia Ele irá nos mostrar a Sua face e O conheceremos plenamente, como somos conhecidos?

A resposta ao segundo questionamento é indubitável. Como Jesus anuncia em sua passagem pela Terra, não há nada impossível para Deus. Basta que contemplemos a criação e meditemos em tudo o que já aconteceu na história da humanidade para reconhecermos essa verdade.

Um homem que andou sobre a Terra e pôde conhecer a grandeza do nosso Criador de uma forma muito espantosa foi Moisés, escolhido pelo Senhor para uma árdua tarefa de libertação. Quando digo árdua, não me refiro a quarenta anos de sol escaldante no deserto, refiro-me a libertar a mente cativa de um povo escravo e obstinado pelos anos de escravidão.

Pragas de gafanhoto, chuva de sangue, sapo pra todo lado, granizo, rebanho morrendo, Mar Vermelho se abrindo, água saindo da rocha, cajado virando serpente, foram alguns dos sinais e maravilhas realizados por Deus e que, sinceramente, impressionariam qualquer ser humano.

Em meio a essa jornada, Ele foi instruído pelo Senhor a passar alguns dias com Ele no monte Sinai, recebendo revelações diretas e ordenanças para o povo. “E o parecer da glória do Senhor era como um fogo consumidor no cume do monte, aos olhos dos filhos de Israel (Êxodo 24:17)”.

Ainda assim, no alto daquele monte, Moisés não estava contente em apenas sentir a presença e ouvir a voz Daquele que o chamou e o instruía (ainda que, aos olhos dos coleguinhas que estavam lá embaixo, aquilo tudo já parecesse muito “cabuloso”). Moisés não estava contente com o show de belezas que aconteciam diante dele. Ele queria mais. Então ele pede, ousadamente: mostra-me a Tua glória! Afinal, como saberemos que achamos graça aos Teus olhos se não podemos contemplá-Lo mais de perto?

O Bondoso então explica que ninguém poderia ver a Sua glória e permanecer vivo. Contudo, Ele colocaria Moisés na fenda de uma rocha e faria passar por ele toda a Sua bondade e ele O veria pelas costas. Um pedido ousado fez com que Moisés pudesse conhecer um pouco da imensidão da glória que há Nele. Certamente, esse foi o desfile mais impressionante que o olhar de um homem já foi capaz de contemplar na face da Terra.

Quando Moisés desceu do Sinai, a pele de seu rosto brilhava. Veja, não há como ter um encontro com o Criador sem que algo em nós seja realmente tocado. Ainda assim, o que se via ali, no rosto de Moisés, era apenas uma sombra do Onipotente, um resquício da glória que por ele havia passado.

E então, partimos para a resposta ao primeiro questionamento: quem Ele é? Estamos certo de que há Nele uma imensidão de aspectos que a nenhum homem foi dado a conhecer, a não ser o Filho. Nós somos um reflexo, a natureza é um reflexo, o amor humano é um reflexo. Mas quem poderia nos mostrar quem Ele é?

A resposta está em Jesus. Ele veio ao mundo para nos mostrar o Pai (Hebreus 1:3; Colossenses 1:15). Sim, o Criador não abandonou suas criaturas ao léu, como apregoava a mitologia grega em relação aos seus deuses tiranos. Ele não é irresponsável e leviano, Ele não nos deixou órfãos (Gálatas 4:4-7).

E nisso, temos Jesus como nosso maior paradigma. Em meio a um mundo judaico onde a religiosidade imperava e o amor a Deus não passava de um medo disfarçado de “reverência”, Jesus surpreende a todos quando os convida a permanecer no amor do Aba, Pai, Paizinho. Ele nos mostra que Aquele a quem os judeus chamavam de El-Shaddai – o Senhor dos Exércitos – também poderia ser chamado de Pai Nosso. Um Pai de amor que busca restabelecer em nós o jardim da intimidade, o lugar onde nos encontramos com Ele e podemos conhecê-Lo, à medida que prosseguimos nisso.

Jesus foi glorificado e partiu para estar com o Pai, mas Ele não só garantiu que intercederia junto a Ele por nós, como nos deixou o Espírito Santo, o Auxiliador. A função precípua do Espírito Santo é permitir que sejamos um com o Aba, que recebamos paternidade por adoção e que, ainda que não venhamos a conhecê-Lo plenamente nessa vida, um dia o grande espelho que embaça a nossa limitada visão será quebrado e, atrás dele, O veremos face a face, para conhecermos a plenitude da Glória, como somos conhecidos.

O que desejo que você perceba, querido leitor, é que há algo de glorioso, de lindo, de único e perfeito que Ele colocou em você. Ele imprimiu em você as Suas virtudes, o poder e a honra que há Nele.

Você foi destinado a ser glorioso, não por possuir glória em si mesmo, mas porque foi feito para refletir a glória do Criador por meio das suas ações, visões e emoções. Isso poderia soar um pouco pretensioso, mas o apóstolo Paulo transcreveu essa verdade ao dizer que temos esse tesouro em vasos de barro. O seu corpo mortal, os seus vícios e a sua natureza pecaminosa – os seus espinhos na carne – sempre te lembrarão do vaso e do barro. Contudo, o poder e a majestade Dele que em nós se aperfeiçoa todos os dias, de glória em glória, não são apenas presentes dados a nós, mas verdadeiros princípios de excelência por meio dos quais o mundo saberá que somos filhos, e o Pai será revelado.

Por isso, não podemos nos contentar com a busca superficial, não podemos desejar apenas experimentar o poder, ver sinais e maravilhas. Aquilo que você busca de Deus é o nível de revelação que você terá Dele.

Se você busca, como o povo no Egito, apenas ser liberto e alcançar as bênçãos do outro lado do deserto, as experiências que terá com Ele serão suficientes para te mostrar o poder que Ele tem. Se você se impressiona apenas com a criação, as coisas que existem na Terra fartarão a sua alma e o seu coração.

Mas se você não é daqueles que se impressionam com o poder ou com as coisas criadas, saiba que por trás do véu das experiências maravilhosas há uma Face de glória poderosa e destinada a ser conhecida apenas pelos íntimos. Enoque andou com Deus até não ser mais achado. Enoque deixou de ser, porque quando somos um com Ele, o que resta de nós será a própria essência do Pai.

O segredo reside na verdade de que precisamos conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor. A promessa feita por Ele em Oséias 6:3 é de que, em resposta, Ele virá a nós como chuva, como chuva serôdia que rega a terra. No tempo certo, virá para refrescar a sede da alma que anseia por Ele. E à medida que O conhecermos, conheceremos mais a respeito de nós mesmos e dos atributos únicos que vêm Dele, colocados em nós para um propósito.

Há bilhões de pessoas no mundo nesse exato momento que anseiam descobrir quem são e para que foram criadas. Você foi criado com uma fórmula única e especial, destinada a refletir os aspectos de glória que Ele imprimiu na sua existência. Que essa verdade o liberte para ser quem você foi criado para ser e para conhecer os segredos do coração do Pai que apenas serão revelados para os íntimos, aqueles que, como João, aconchegam-se ao coração do Amado e fazem das batidas do Seu coração a trilha sonora da sua vida.

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