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Camila se deliciava com o som de todas aquelas notas. Não sabia bem ao certo de onde vinham, mas a paz que emanava de cada mínima parte daquela música envolvia todo o seu ser. Podia sentir crescendo dentro de si uma vontade louca de correr em sua direção, como ainda não havia escutado isso antes? Cada sequência da doce harmonia a convidava para uma dança de amor eterno.

E quanto mais ela permitia, mais o som era capaz de acolher e alcançar cada minúsculo canto da sua alma. Podia ver a si mesma saltando em direção àquela luz de claves que a levavam a um único caminho. Depois de alguns instantes perdida em seus pensamentos, a vida real a chamou de volta, podia ouvir a voz distante de sua mãe irrompendo no silêncio da sala, seus olhos já estavam cheios de lágrimas.

– Camila, vamos? Chegou a nossa vez, minha filha. Por que seus olhos estão lacrimejando tanto, querida?

Tudo que ela desejava naquele momento era permanecer ali, ouvindo o som capaz de preencher qualquer vazio. Mas ela não podia pedir a mãe que ficassem, também não era capaz de lhe contar o motivo das lágrimas. Como as palavras, os sons e os gestos faziam falta nessas horas, nem sempre a mãe conseguia entender seu olhar… Camila sabia que algo havia sido transformado dentro dela. Nunca mais poderia ser a mesma depois daquelas notas que a tocaram como sopro suave e que encheram sua alma de luz. 

Era a primeira vez que visitavam o lugar, uma pequena casa de apoio promovida por uma comunidade cristã do bairro. Enquanto sua mãe a levava pelo corredor de acesso às salas, percebeu que se moviam em direção à origem do som. Seu coração se encheu de alegria, estava cada vez mais perto e, ao passar em frente a uma porta estreita, pôde escutar a voz daquele rapaz ao piano. Sentiu um certo pesar por não poder entrar ali.

Ele cantava, bem baixinho, um som ainda desconhecido por Camila: “Yeshua…”. Ela, então, gravou aquele nome em sua mente e em seu coração, ele era especial. De alguma forma, sabia que aquelas notas provinham dele.

Enquanto uma moça simpática, chamada Luana, movimentava cada parte do seu corpo numa espécie de terapia ocupacional, Camila repetia sistematicamente aquele nome em sua cabeça, ”Yeshua” – o som estava mais alto agora. Estava contente porque sua sala ficava logo ao lado do pequeno estúdio de música.

Nos momentos em que Luana levantava seus braços, Camila podia vê-los se movendo em direção àquela luz, imaginava uma dança completamente coordenada com cada nota daquele piano. Quando seus pés eram levantados, podia vê-los se esticando ao máximo para alcançá-lo: Yeshua. Sentia seu peito explodindo de alegria, seus olhos podiam ver algo que nunca havia enxergado antes. O sorriso em seu rosto era incontrolável e, naquele instante, toda a sua vida fez sentido.

Não percebeu o tempo passando, mas, quando sua mãe se levantou para empurrar a cadeira de rodas, entendeu que já era hora de partir. Esperava ansiosamente poder voltar àquele lugar, não sabia quando estariam ali de novo. Pôde, então, ouvir a conversa de sua mãe com Luana.

– O que a senhora achou do nosso espaço, dona Juliana?

– Eu achei muito bom… E eu posso dizer, tenho certeza que ela amou ainda mais… eu nunca vi minha filha tão radiante em uma sessão de terapia. Muito obrigada pelo carinho com a Camila, eu gostaria tanto que ela também pudesse te agradecer com suas próprias palavras…

– Ah, eu fico muito feliz que a senhora gostou…  Não se preocupe, ela já me agradeceu com esse sorriso maravilhoso durante toda a sessão. – Luana se despediu passando as mãos sobre os cabelos de Camila carinhosamente.

Enquanto sua mãe empurrava a cadeira em direção à saída, as lágrimas de Camila escorriam. Temia não vê-lo mais, não queria sair da sua presença. Ao passarem pela porta da sala de música, viu uma pequena fresta se abrindo. Aquele rapaz estava saindo de lá, veio em sua direção, ele estava prestes a tocar sua mão. Então, ouviu aquela voz que chamava “Yeshua” mais uma vez.

– Ele estará com você em qualquer lugar, Camila. Não se aflija, a partir de hoje, Ele sempre estará com você. Você é morada dEle.

Sua mãe não compreendia nada daquilo. Porém, quando o rapaz lhe contou o que havia acontecido, não conteve suas lágrimas. Ele permaneceu tocando durante todo aquele tempo porque Jesus, o Yeshua, havia lhe contado que uma pessoa muito especial iria conhecê-lo e aceitá-lo através daqueles sons. Essa pessoa era a Camila, que, naquele dia, dançou sua primeira e eterna dança de amor. Naqueles passos harmoniosos que envolveram sua mente e seu coração, ela convidou Yeshua a entrar na sua vida para todo o sempre.

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Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo. Apocalipse 3:20

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